Petrobrás, campeã na área de transparência

Sabrina Lorenzi
Jornal do Brasil

O Brasil abriga o maior número de empresas classificadas como as mais transparentes do mundo atualmente. Referência mundial entre executivos para a elaboração de relatórios sociais e ambientais, a Global Reporting Initiative (GRI) divulgou ontem, em Amsterdã, que a Petrobras é a companhia mais transparente do planeta, eleita por todos os tipos de leitores de balanços, dos mais xiitas representantes de ONGs (organizações não-governamentais) a executivos atraídos por governança corporativa, passando por governos e empregados de empresas.

Das 800 empresas candidatas, que expõem suas atividades a análises da sociedade, 45 ficaram entre as finalistas, das quais oito são brasileiras. Petrobras, Natura, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Banco Real, Cemig e Usiminas exibiram balanços que ficaram entre os melhores do mundo, conforme o resultado da votação de 1,7 mil pessoas.

– O Brasil encara problemas muito concretos, tem um contexto que exige mais das empresas do que os países europeus, por exemplo – afirmou a diretora de aprendizagem do GRI, Nelmara Arbex. Florestas queimadas, violência e níveis baixos de educação são, segundo ela, fatores que empurram as empresas brasileiras para a transparência máxima, porque precisam de credibilidade suficiente para mostrar que os problemas do país não contagiam suas atividades.

O número de companhias brasileiras de grande porte que seguiram os relatórios do GRI quadruplicou no ano passado. Eram 15 e agora são 60. Entre as novatas, a Vale do Rio Doce. Mas a Vale, bem como muitas empresas que começaram agora este processo de transparência, ainda não respondem a todas as questões definidas pelo GRI, segundo fontes.

– Nós respondemos a todos os questionamentos do GRI, são cerca de 80 indicadores que eles pedem – conta a coordenadora de balanço social e ambiental da empresa, Ana Paula Grether Carvalho.

Os balanços são auditados pela KPMG. Entre as três finalistas na categoria sociedade civil, estavam, além da Petrobras, BG e Natura. A estatal brasileira ficou também entre os finalistas dos melhores relatórios, juntamente com a Usiminas. A imprensa elegeu a espanhola Gas Natural como a mais transparente.

Índia

Os mesmos problemas de países emergentes que enfrenta o Brasil podem ter motivado a Índia a apresentar outros dois campeões: o relatorio do ABN-Amro da Índia foi eleito por executivos de mercado o melhor entre todos. E a ITC, também indiana, foi considerada por funcionários a de maior transparência. Mas o fato de ser mais transparente não significa ser a mais sustentável. Com sete empresas finalistas, a Espanha também foi destaque. A Coca-Cola e a Shell também ficaram entre as mais transparentes do mundo.

08-05-2008 | 10:22

Jornal do Brasil

Favorecida pela blindagem governista, mas sobretudo pela timidez da oposição no questionamento sobre o dossiê contendo gastos do presidente Fernando Henrique Cardoso, a chefe da casa Civil, Dilma Roussef, driblou, ontem, as raras perguntas espinhosas, concentrou seu discurso no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e pregou o fim do sigilo dos gastos de ex-presidentes da república "depois de passado tempo suficiente para não comprometer a segurança presidencial" nas mais de 9 horas de depoimento na Comissão de Infra-Estrutura no Senado.
    Elogiada pelas duas alas da casa, que se apertaram na comissão para ouví-la, Dilma voltou a afirmar que nunca existiu um dossiê contra Fernando Henrique, apenas informações pinçadas de um banco de dados do Palácio do Planalto. E lembrou a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de abrir seus gastos assim que deixar a presidência:
    - Eu não vejo nenhum problema na divulgação, em determinado momento, dos dados que antes são considerados sigilosos, acho que será um aprimoramento nosso procurar divulgá-los. Isso é questão de Segurança Institucional - disse a ministra.
    Questionada sobre as várias versões dadas pelo Palácio do Planalto sobre o dossiê - desde a negação de sua existência até a afirmação, pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, de que não haveria crime em se montar um dossiê - Dilma manteve a afirmação de que, provocada por avaliações negativas do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o controle dos gastos da presidência, o Planalto decidiu montar uma base de dados com informações sobre o suprimento de fundos do governo.

Congresso sabia

  O Congresso teria sido informado sobre o banco de dados quando, em setembro de 2005, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) pediu informações sobre gastos de ministros, observou Dilma.
   - A Casa Civil, na época, respondeu para o senador que a Presidência da República aderiu ao cartão corporativo só no dia 13 de março de 2002, e que não havia gastos com suprimentos de fundos com os cartões, mas que havia outros gastos com suprimento de fundos, que estavam sendo objeto de banco de dados - afirmou.
    Dilma se disse "vítima" do vazamento de informações do dossiê contra FH, chamou de "irrisórias" as informações publicadas em jornais e revistas sobre os gastos do ex-presidente tucano. Também defendeu a ex-ministra da Igualdade Racial ,Matilde Ribeiro, afastada por mau uso do cartão corporativo.

08-05-2008 | 10:13

Gazeta Mercantil

Um novo caso envolvendo o Metrô abala a imagem da companhia considerada modelo entre os usuários e a população paulistana. A opinião é do secretário-geral do Sindicato dos Metroviários e presidente da Federação Nacional dos Metroviários, Wagner Fajardo, em relação à suspeita de corrupção envolvendo a multinacional francesa Alstom e a direção da empresa de capital misto, controlada pelo governo de São Paulo.
"A Alstom chegou no Metrô de forma meio estranha", recorda o sindicalista, para quem a companhia não tinha o devido know-how para substituir o sistema de sinalização e computadores em licitação vencida pela multinacional no ano 2000. "Foi o próprio corpo técnico do Metrô quem mais trabalhou. Na época, aquilo nos pareceu muito estranho, mas não suspeitamos que pudesse haver propina. Agora as coisas parecem fazer mais sentido", disse em relação à reportagem publicada pela imprensa norte-americana sobre investigação de autoridades suíças envolvendo a Alstom em suspeita de corrupção na Ásia e na América Latina.
O Sindicato dos Metroviários de São Paulo defende profunda investigação pelo Ministério Público e pela Assembléia Legislativa, até em forma de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Fajardo afirmou, que após a primeira licitação, a Alstom se transformou na maior empresa do setor do Brasil, ao incorporar a Mafersa. Além de produzir carros e equipamentos para o Metrô paulistano, ainda faz manutenção do sistema em Brasília. Atualmente, tem cerca de 3 mil funcionários no Brasil.
Para o sindicalista, também contribuem para prejudicar a imagem do Metrô os incidentes envolvendo a construção da Linha 4 Luz/ Vila Sônia e a forma como foi feito o processo de licitação para que um consórcio administre esta etapa quando as obras forem concluídas. "Sempre dissemos que o contrato assinado com o consórcio, que tem participação da Alstom, é leonino, pois mesmo se houver má administração, não haverá nenhuma perda para o capital privado", afirmou Fajardo.
A assessoria de imprensa da Alstom no Brasil informou que a empresa não iria se manifestar pelo País. Em sua sede na França, a assessoria da empresa nega pagamento de US$ 6,8 milhões feito por funcionários da Alstom para ganhar contrato de US$ 45 milhões para ampliação do metrô de São Paulo. Alegou que não há provas ou processo criminal. A informação foi dada em primeira mão pelo The Wall Street Journal, segundo o qual a polícia suíça já teria ouvido dois ex-funcionários da multinacional que confirmaram o suborno.

08-05-2008 | 10:05

Folha de S. Paulo

Objetivo é trazer engenheiros, geólogos e perfuradores para explorar novos campos

Companhia pretende expandir em 23% sua força de trabalho nos próximos três anos, para 74 mil funcionários

A Petrobras tem planos de contratar 14 mil engenheiros, geólogos e perfuradores nos próximos três anos, para a exploração da maior descoberta de petróleo no hemisfério Ocidental desde 1976.
A Petrobras pretende expandir em 23% a sua força de trabalho, para 74 mil funcionários, e superar a Chevron, segunda maior produtora de petróleo dos EUA. A contratação em massa faz parte de plano de investimento de US$ 112,7 bilhões, que pode levar o Brasil a ultrapassar a produção de todos os países da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), com exceção da Arábia Saudita.
A Petrobras não tem os trabalhadores de plataformas de sondagem, ou perfuradores, necessários para a extração de bilhões de barris de petróleo que jazem em campos "offshore" recém-descobertos. A empresa tenta contratar mais de 12 pessoas por dia, em um ambiente no qual se intensifica a concorrência pelos trabalhadores com qualificação no setor, depois de os preços do petróleo terem atingido níveis recordes.
"Se algumas das hipóteses forem verdadeiras e tivermos reservas enormes, então provavelmente enfrentaremos algumas pressões devido à mão-de-obra", disse José Sergio Gabrielli, presidente da empresa, em Houston, anteontem.
A Petrobras disse nesta semana que vai começar a extrair petróleo até abril de 2009 do campo de Tupi, que fica a 250 km ao largo do litoral brasileiro. É uma antecipação de um ano em relação ao previsto anteriormente. O campo pode ter 8 bilhões de barris de petróleo recuperável. Se confirmada, será a maior descoberta de petróleo desde o campo de Cantarell, no México.
A produção no campo de Carioca, também na bacia de Santos, pode começar dentro de quatro ou cinco anos.
O Tupi e outros sete campos que existem nessa região do Atlântico são de importância fundamental para o plano de Gabrielli de aumentar a produção em 79%, para o equivalente a 4,2 milhões de barris de petróleo por dia, até 2015. Esse nível de produção colocaria a Petrobras no mesmo patamar que a Exxon Mobil, a maior empresa de energia do mundo.
A intenção da Petrobras é recrutar todos os seus empregados em universidades e escolas técnicas do Brasil, de acordo com Gabrielli

08-05-2008 | 09:54

De Brasília
Valor Econômico

O comando nacional de greve dos auditores fiscais decidiu no início da noite de ontem encaminhar o indicativo pelo fim da greve dos auditores fiscais. A decisão final caberá as assembléias dos auditores que serão realizadas amanhã em todo o país. Segundo o presidente do Unafisco Sindical, Pedro de Delarue, a decisão foi tomada após apelo feito pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, com quem os representantes do Unafisco estiveram reunidos na manhã de ontem. 

Em reunião com os representantes dos auditores em greve, ministro disse que o governo irá cortar o ponto dos funcionários parados pelo menos a partir do dia 9 de abril, quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a volta ao trabalho. 

Bernardo disse também durante a reunião que o governo não tem como melhorar a proposta salarial. O governo ofereceu reajuste de 43,9% para servidores com salário teto e de 41,7% para os auditores com salário inicial. O aumento seria aplicado até 2010, sempre no mês de julho. 

"Eu fiz um apelo aos auditores, através do sindicato, para que voltem ao trabalho. Expliquei claramente que nós chegamos ao limite do que nós podíamos oferecer em termos econômicos, mas aceitamos discutir os critérios de avaliação e promoção, Manter a greve é simplesmente ficar penalizando a sociedade", disse o ministro. 

Os auditores têm salário inicial de R$ 10.155, que pode chegar a R$ 13.382 no final da carreira. A categoria reivindica equiparação com o da Polícia Federal, que tem teto superior a R$ 19 mil. "Acho que eles também vão avaliar isso e ver que é uma situação que precisa ter uma mudança de postura", disse o ministro Paulo Bernardo, após o encontro com os representantes dos auditores.

 

07-05-2008 | 10:40

Mônica Tavares e Eliane Oliveira
O Globo

Governo estuda ampliar participação de clientes do sistema interligado para financiar abastecimento no Norte

O governo estuda uma mudança na legislação do setor energético com o objetivo de ampliar a participação dos consumidores brasileiros que integram o Sistema Interligado no rateio do alto custo do abastecimento energético da Região Norte. A informação foi dada ontem pelo presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, para quem a atual contribuição de Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste não é suficiente.

- Precisamos de um marco regulatório para o Sistema Isolado. O Ministério de Minas e Energia é que está elaborando - disse Muniz.

Apesar de admitir que as empresas distribuidoras da Região Norte têm problemas de gestão, Muniz disse que a maior parte do prejuízo de R$1 bilhão por ano decorre justamente da conta para subsidiar seus consumidores.

Ele lembrou que o modelo de comercialização de energia pelas geradoras na Região Norte é diferente daquele no sistema interligado, que representa 98% do mercado. Nos 2% restantes, devido ao custo mais alto do meio de produção de energia, todo o ônus recai sobre a Eletrobrás:

- Eu produzo energia, em alguns locais, a partir de térmicas com óleo diesel, por R$600 o megawatt/hora, e eu vendo à distribuidora por R$200 o MW/h. Essa diferença quem está pagando é a Eletrobrás. Queremos regras que digam claramente o que é o custo médio de geração de energia. A Região Norte, como sistema isolado, terá um custo médio de geração. E a diferença deve ser rateada.

Atualmente, parte dos gastos é bancado pela Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis (CCC), embutida na fatura e paga por todos os consumidores. Esses recursos são usados para bancar o combustível usado nas usinas termelétricas da Região Norte.

Uma vez por ano, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabelece o valor dos recursos que serão usados pela Eletrobrás. Em fevereiro deste ano, a agência autorizou um valor de R$3 bilhões, o que representou um aumento de 4,6% em relação ao custo fixado para 2007, de R$2,870 bilhões. Esse dinheiro sai do bolso dos consumidores abastecidos com eletricidade mais barata.

Com a aplicação da correção deste ano da CCC, o reajuste das tarifas de energia dos consumidores, na época do aumento anual de cada distribuidora, terá acréscimo médio de 0,18 ponto percentual.

Uruguai pede energia ao governo brasileiro

Depois de a Argentina conseguir do governo brasileiro a garantia de envio de no mínimo 800 megawatts no inverno, na semana passada, agora é a vez de o Uruguai vir pedir energia ao Brasil. A solicitação foi feita ontem pelo chanceler uruguaio, Gonzalo Fernández, ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, após um almoço com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

- Há uma crise energética em nível regional. E os países, sobretudo os do Mercosul, têm que cooperar no intercâmbio de energia - disse o chanceler uruguaio .

Fernández disse que sua visita a Brasília também teve por objetivo reforçar as relações de seu país com o Brasil. Ele demonstrou particular interesse por uma linha de transmissão de energia, que foi prometida pelo governo brasileiro há algum tempo. Disse que também falaram de projetos sociais na fronteira, que seriam financiados com recursos do Fundo de Convergência Estrutural (Focen).

O chanceler também tratou de uma questão delicada no âmbito do Mercosul. Fernández teve como missão convencer o Brasil a liberar o Uruguai para tratados bilaterais mais ambiciosos com países fora do Mercosul.

07-05-2008 | 10:35

Bernardo Mello Franco
O Globo

Fundação da UnB pagou R$77,4 mil à elétrica de burocrata

A oposição ganhou ontem novo fôlego para tentar prorrogar a CPI do Cartão Corporativo. Pela primeira vez, um servidor federal admitiu ter usado dinheiro sacado com o cartão corporativo para fazer compras numa loja da qual é sócio. O chefe do arquivo médico do Hospital Universitário de Brasília, Raimundo Luiz da Silva, disse ter feito "pequenas despesas" na Gilvana Elétrica, batizada com o nome de sua esposa.

Entre abril e setembro de 2006, ele sacou R$17,7 mil em caixas do Banco do Brasil para cobrir despesas do hospital. Os dados enviados à CPI pelo governo não revelam quanto foi gasto na loja. Para os sub-relatores Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ) houve crime de improbidade administrativa, que pode ter se repetido em diversos órgãos da administração federal. Raimundo disse não ver problema nas compras.

- Eu não sabia que não podia usar o cartão na loja. Comprei lá sim, mas foram só besteirinhas. Não sei o montante, mas não foi o tanto de grana que falaram - afirmou o servidor.

Os oposicionistas querem usar o caso para pressionar o governo a abrir o que chamam de caixa-preta do uso dos cartões: as prestações de contas que deveriam revelar o destino do dinheiro sacado em espécie. Esses dados não aparecem no Portal da Transparência, ao contrário das compras a crédito em estabelecimentos comerciais.

- É um absurdo. O sujeito vai ao caixa, saca dinheiro do Tesouro e gasta como bem quer - afirmou Índio, animado.

Segundo documentos divulgados ontem, a Gilvana Elétrica lucrou ainda mais com a Fundação Universidade de Brasília, que administra o hospital. De 2003 a 2007, a elétrica recebeu R$77,4 mil em contratos.

Raimundo diz ter 5% das cotas da elétrica, sediada na Vila Planalto, bairro de classe média-baixa próximo à Praça dos Três Poderes. Ele nega ter se beneficiado e diz ter esquecido a senha do cartão.

- Sou um burocrata. Só fui à Gilvana para comprar parafuso, ferramenta, latinha de tinta. Não derramei dinheiro corporativo aqui - afirmou o servidor.

A Controladoria Geral da União (CGU) vai auditar as contas da Universidade de Brasília (UnB), a pedido do reitor interino Roberto Aguiar, que assumiu o cargo em abril, após a renúncia do reitor Timothy Mulholland. A auditoria especial será feita em conjunto com a UnB e vai analisar as relações da instituição com suas fundações de apoio, especialmente a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), que bancou a decoração luxuosa do apartamento funcional do então reitor Mulholland, no valor de R$470 mil, segundo o Ministério Público.

07-05-2008 | 10:31

Eugênia Lopes
O Estado de S. Paulo

Um caso é o de Raymundo, que fez compras para hospital em sua loja

Sub-relatores da CPI dos Cartões, os deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ) divulgaram ontem levantamento de servidores ou ex-servidores que são sócios em empresas que têm contratos com a União e receberam dinheiro de cartões corporativos.

Um caso sob suspeita é o de Raimundo Luiz da Silva, funcionário cedido ao Hospital Universitário de Brasília (HUB). Entre abril e setembro de 2006, sacou R$ 17,7 mil com o cartão e disse ao Estado que usou uma parte para comprar produtos na Gilvana Elétrica, empresa que tem em sociedade com sua mulher.

“Saquei o dinheiro para comprar produtos para o HUB. Comprei em lojas maiores, mas é claro que também comprei na minha loja.” Ele disse não lembrar quanto gastou na sua loja. “Só sei que a maioria não foi. Tudo tem nota fiscal. Não temo nada.”

A Gilvana também fez contratos com a União e de 2003 a 2007 recebeu R$ 113.493,68, dos quais R$ 77.423,64 da Fundação Universidade de Brasília, à qual é ligado o HUB. Mas Raimundo nega ter influenciado a escolha. “Esses contratos foram ganhos por pregão eletrônico. Não tem como ter tráfico de influência. Não tive nenhuma influência.”

Outro caso é o da professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Rondônia (Unir) Fátima Aparecida de Souza Maia Queiroga, sócia da Microservice Comércio e Serviços de Informática. A empresa recebeu R$ 391.921,30 de contratos com a União em 2004, dos quais R$ 123.519,90 vieram da Unir. Em 2005, foram R$ 362.231,65 da União e em 2006, R$ 86.834,78. “Todos os contratos que ganhamos foram através de licitação. Não praticamos nenhuma ilegalidade”, afirmou Arionildo Queiroga, marido de Fátima e gerente da Microservice. “Não tem a mínima possibilidade de tráfico de influência.”

Em nota a Controladoria-Geral da União (CGU) disse que esses casos não envolvem compra com cartão “e sim contratos entre empresas e universidades” e vai apurá-los “normalmente, como faz com qualquer denúncia”. Argumentou ainda que a existência de empresas que têm ou tiveram sócios servidores, “isoladamente, nada significa, em se tratando da administração pública federal, que tem milhares de repartições por todo o Brasil e mais de 500 mil servidores.”

07-05-2008 | 10:11

O Estado de S. Paulo

Presidente da Câmara solicita ao corregedor da Casa que investigue suspeitas contra Paulinho Nova escuta telefônica mostra pedetista discutindo com um dos acusados “formas de desqualificar a investigação” da Polícia Federal Da tribuna, parlamentar nega ligação com esquema de desvios no BNDES e ataca atuação da PF

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), solicitou ao corregedor Inocêncio Oliveira (PR-PE) que apure as suspeitas contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, apesar de ainda não conhecer escuta telefônica registrada em documento a que o Estado teve acesso. O grampo mostra o pedetista discutindo com um dos alvos da Operação Santa Tereza da Polícia Federal “formas de desqualificar a investigação”. Reportagem do dia 27 de abril já havia revelado que o parlamentar teve o nome citado em relatório da PF como suposto beneficiário da partilha de recursos que teriam sido desviados do BNDES.

A conversa de Paulinho com um dos citados na investigação consta de documento que a Procuradoria da República entregou à Justiça Federal - o qual sustenta que acusados estão usando “seu poder político” para desclassificar a Operação Santa Tereza.

A abertura de investigação na Câmara é sintoma da gravidade das acusações contra o deputado. Menos de duas horas depois de ser anunciado que seria alvo da corregedoria, Paulinho foi à tribuna da Casa para se defender. Negou envolvimento no caso, atribuiu as acusações à sua atuação em defesa dos trabalhadores e anunciou que abria seu sigilo bancário, fiscal e telefônico. À noite, a Executiva do PDT decidiu prestar solidariedade a ele e não aplicar nenhuma punição.

Em seu discurso na tribuna, o deputado criticou a PF por se basear em apenas três menções a seu nome. “A partir daí eu virei suspeito, criminoso. Não tenho nada a ver com isso”, reclamou Paulinho, que recebeu apoio de entidades sindicais.

07-05-2008 | 10:08

Jornal do Brasil

Dois servidores públicos estão perto de se tornar alvo de investigação do Ministério Público Federal. Eles fazem parte de uma lista elaborada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Cartões que aponta que servidores da administração federal podem ter feito tráfico de influência para beneficiar empresas das quais são sócios em compras com os cartões corporativos do governo.

Apesar dos deputados não conseguirem comprovar a irregularidade, pelo menos um dos acusados confirmou ao Jornal do Brasil que utilizou recursos públicos para pagar compras em seu próprio estabelecimento. O servidor do Ministério da Saúde Raimundo Luiz da Silva é um dos sócios da empresa Gilvana Elétrica Ltda, que, entre 2003 e 2007, recebeu do governo R$ 113 mil, sendo que a maior parte, R$ 77 mil, foi paga em contratos firmados pela Fundação Universidade de Brasília, antigo local de trabalho de Raimundo.

O que chamou atenção dos sub-relatores da CPI, deputados Índio da Costa (DEM-RJ) e Carlos Sampaio (PSDB-SP), que comandaram a varredura, foi o fato de que Silva, além de ter ampla relação com órgãos do governo, usou o cartão corporativo em 2006, fazendo saques no valor de R$ 17,7 mil.

Movimentação curiosa

Para os deputados, a movimentação é curiosa e deixava a impressão de que o dinheiro poderia ter sido utilizado em sua própria empresa. O servidor admite que sacou e que, devido à urgência de alguns materiais para o Hospital Universitário, fez compras em sua empresa. Garante que fez tudo dentro da legalidade e que entregou as notas para seus superiores e que nunca foi questionado.

Na avaliação dos deputados, no entanto, não resta dúvida das irregularidades cometidas pelo servidor. As normas que regulam o serviço público proíbem que ocupantes de cargos comissionados sejam sócios-gerentes de empresas.

O levantamento encomendado pelos sub-relatores identificado 452 empresas que fizeram negócios com os cartões desde 2002 e têm sócios que são ou foram servidores comissionados nesse período. Os estabelecimentos faturaram R$ 615 mil com as transações. Foram identificados 473 servidores que são, ao mesmo tempo, sócios das empresas beneficiadas pelo uso dos cartões. Além de Silva, outro caso considerado curioso pelos deputados envolve a servidora da Universidade Federal de Rondônia, Fátima Aparecida Queiroga, sócia da empresa Microservice Comércio e Serviços de Informática. O estabelecimento embolsou do Orçamento R$ 390 mil em 2004, quando Fátima passou a ter participação. Antes.a empresa não prestava serviços ao governo (M. F.)

07-05-2008 | 10:04