Correio Braziliense
Plenário da Câmara deve votar em 20 dias proposta que altera o rito das medidas provisórias e evita o trancamento da pauta
O que parecia impossível, aconteceu: a comissão especial que analisa as mudanças no rito de tramitação das medidas provisórias aprovou ontem, por unanimidade, o parecer do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) à proposta de emenda constitucional do Senado que modifica o rito de aprovação das MPs e acaba com o trancamento da pauta do Congresso. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, participou diretamente nas negociações e recebeu rasgados elogios do líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). “Houve momentos em que encarei com ceticismo a possibilidade de mudança, mas graças à determinação do presidente da Câmara o acordo foi possível”, disse. A proposta deve ser votada em plenário em 20 dias.
Quase 70% das sessões da Câmara, em 2007, foram obstruídas em razão das regras atuais de tramitação das MPs, editadas de forma exagerada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em reação a isso, os presidentes da Câmara e do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), fizeram um pacto para acabar com o trancamento da pauta. Houve forte reação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e desconforto do presidente Lula, mas o pacto foi mantido e o governo recuou.
Depois de marchas e contramarchas, nas quais os líderes dos partidos de oposição e da base negociaram exaustivamente, o PT acabou isolado na comissão especial, que estava na iminência de aprovar o relatório por ampla maioria. O acordo de ontem só foi possível porque o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que é deputado federal, entrou em campo para negociar uma proposta de consenso com o presidente comissão especial, Cândido Vacarezza (PT-SP), e o relator Leonardo Picciani (PMDB-RJ).
Prazo
ACM Neto, que fazia restrição ao acordo, aceitou que a inversão da pauta para votação das medidas provisórias fosse aprovada por maioria absoluta (metade mais um dos integrantes da Casa). Em troca, exigiu que o prazo de tramitação de 120 dias fosse mantido.
A solução é razoável para o governo, mas ainda resta uma pendência a ser decidida em plenário: a ampliação dos critérios para aprovação dos créditos especiais, que ficaram restritos aos casos de guerra, comoção ou calamidade. O governo quer incluir a instabilidade econômica. O substitutivo aprovado, além de manter o prazo de validade das MPs (120 dias, sem prorrogação), aboliu o dispositivo segundo o qual se a MP não fosse apreciada em até 45 dias trancaria a pauta.
Se a medida provisória não for analisada no prazo legal, ela perderá eficácia, mas continua a entrar em vigor imediatamente após sua edição. Antes de terem o mérito discutido, as MPs deverão ser analisadas pelas comissões de Constituição e Justiça da Câmara e do Senado, nos 10 dias iniciais de tramitação em cada Casa. A partir do décimo-sétimo dia, a MP entrará como primeiro item da pauta do plenário, em regime de urgência. Caso a MP não seja admitida pela CCJ, caberá recurso ao Plenário. O governo não poderá apresentar uma MP para revogar outra editada anteriormente e a MP deverá ser monotemática.