| LUCIANA OTONI |
| Folha de S. Paulo |
Reajuste é maior do que o de 2007 e vale para o minuto das ligações locais e de fixo para móvel, além da assinatura
Nas ligações DDD, reajuste médio será o mesmo das ligações locais, mas poderá ser de até 9,68%, a depender do horário ou da distância
A Anatel definiu os reajustes da telefonia fixa. Os aumentos serão de 2,76% para os clientes da Oi e de 3,01% para a os da Telefônica, Brasil Telecom, CTBC (interior de MG e SP) e Sercomtel (Londrina, PR). O aumento incidirá sobre a assinatura e o minuto das ligações. Nas ligações DDD, o reajuste médio será o mesmo, podendo subir até 9,68%, conforme horário ou distância. (págs. 1 e B4)
Usuários da telefonia vão pagar mais pelas ligações fixas locais, interurbanos e ligações de telefone fixo para celular a partir desta semana. Os reajustes são maiores dos que os de 2007.
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) definiu ontem que os aumentos das tarifas serão de 2,76% para os clientes da Oi e de 3,01% para os clientes de Telefônica, Brasil Telecom, CTBC (interior de Minas Gerais e São Paulo) e Sercomtel (Londrina, PR).
Juntas, essas operadoras reúnem 35 milhões de linhas ativas de telefone fixo.
Os percentuais definidos pela Anatel serão aplicados sobre os valores da assinatura e do minuto das ligações. Para cobrar os novos preços, as cinco concessionárias são obrigadas a publicar, com dois dias de antecedência, os novos preços em jornais de grande circulação.
Como o aumento deverá ser oficializado hoje no "Diário Oficial" da União, os novos preços podem vigorar para o consumidor a partir de quinta.
O gerente de Tarifas e Preços da Anatel, Vanderley Campos, disse que, nas ligações de longa distância (DDD), o reajuste médio será o mesmo das ligações locais, mas poderá ser de até 9,68%, a depender do horário ou da distância. Para calcular os reajustes, a Anatel levou em consideração a variação de 4,46% no IST (Índice de Serviços de Telecomunicações) entre junho de 2007 e maio deste ano e o Fator X.
O Fator X é um redutor do reajuste para o consumidor, que reflete os ganhos de produtividade que as operadoras de telefonia tiveram. Ele é deduzido do IST (Índice de Serviços de Telecomunicações), que é considerado a inflação do setor.
Diferentemente de 2007, a Anatel adotou neste ano um mesmo percentual para 4 das 5 operadoras que solicitaram o reajuste. A Embratel não terá mudanças nas tarifas porque não pediu aumento.
Embora quase uniformizado, o reajuste das tarifas está maior que o do ano passado. Para a Oi, que foi autorizada a fazer aumentos de até 2,76%, esse percentual era de 1,83%. Para as demais concessionárias, que podem fazer reajustes de até 3,01%, os percentuais em 2007 foram de 2,13% a 2,20%.
O encarecimento das ligações feitas por telefone fixo é apenas mais um dos aumentos que irão pesar no bolso do consumidor, que neste ano amargou, também nos preços controlados (administrados), reajustes de energia e transporte.
O simples repasse integral do IGP-M nos reajustes de alguns serviços administrados tem sido apontado, pelos economistas, como um fator a alimentar a inflação. Por isso, o aumento autorizado para as empresas de telefonia pode provocar um debate sobre a criação de outros índices especiais para balizar os acertos de preços dos demais setores. "O IST procura refletir melhor os custos efetivos das companhias", diz Ricardo Fontes, professor do Ibmec-SP. "É melhor para toda a economia."
