Renata Veríssimo e Marcelo Rehder
O Estado de S. Paulo

Executivo admite que tema não passa no Congresso; principal objetivo é reduzir informalidade

O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, anunciou ontem sua proposta para uma ampla reforma trabalhista. O projeto, contudo, foi recebido com ceticismo no Palácio do Planalto.

Mangabeira admite que o tema é controverso, mas o considera fundamental para o País. “Não queremos ser uma China com menos gente”, comparou, referindo-se aos baixos salários pagos aos trabalhadores chineses.

Escalado para simular cenários, imaginar situações futuras, o ministro captou sinais de que a reforma não passará no Congresso. “Mas precisamos insistir quantas vezes forem necessárias. Não é um processo eleitoral. É uma questão fundamental que limita nosso crescimento econômico”, defendeu.

Com o objetivo central de reduzir a informalidade no País, a proposta está sendo preparada dentro do conceito de contrapartida, na definição de Mangabeira. “Não acho que a desoneração da folha de salários das empresas deva ser dada de mão beijada”, disse.

A proposta prevê, entre outros pontos, a reforma do regime sindical, a concessão de subsídios para empresas que contratarem empregados com baixa qualificação e a participação dos trabalhadores no lucro das empresas. Também inclui, a pedido dos juízes do Trabalho, a organização jurídica do sistema de negociação coletiva. O projeto esbarra, porém, em alguns obstáculos. O principal é que depende da aprovação da reforma tributária.

As negociações com centrais sindicais e empresários começaram no ano passado. Agora, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, serão ampliadas para incluir o Congresso e a sociedade. Mangabeira avisou, no entanto, que ouvir essas lideranças não significa delegar a elas a decisão sobre o assunto.

“Consulta não é delegação de poder. Depois de ouvir a sociedade, o governo vai se posicionar sobre o mérito e a viabilidade política.” Segundo ele, o governo terá o poder de vetar propostas corporativistas que não atendam aos interesses da maioria desorganizada e excluída do mercado de trabalho formal.

O ministro - que um dia classificou o governo Lula como “o mais corrupto da história” - explicou que a proposta em discussão é um conjunto de ações conexas. Em troca da desoneração da contribuição previdenciária das empresas, os sindicatos teriam acesso à contabilidade das empresas e participação nos lucros. Também seria montado um sistema de representação para empregados temporários e terceirizados.

Entre as centrais sindicais, há consenso sobre as propostas de Mangabeira, mas não em relação à forma como as mudanças devam ser feitas. Na desoneração da folha de salários, por exemplo, a maioria dos sindicalistas quer que a contribuição das empresas para a Previdência seja sobre o faturamento. “Mas tem gente falando na criação de uma espécie de CPMF”, conta José Lopez Feijóo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e membro da diretoria executiva da CUT.

Outro ponto sem consenso é em relação ao fim do imposto sindical. A maioria quer que seja substituído por taxas a serem decididas em assembléias dos trabalhadores, mas há quem prefira uma contribuição obrigatória.

30-04-2008 | 09:55

Gazeta Mercantil 

Os movimentos sindicais devem mobilizar milhões de pessoas na comemoração do 1 de maio, mas sem terem definidas bandeiras que aglutinem as bases, que mudaram de perfil depois de 20 anos de regime democrático. A atual conjuntura econômica, de crescimento, é ideal para discutir temas como a redução da jornada de trabalho, diz Marcos Verlaine, assessor parlamentar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Uma das mudanças das ações organizadas dos trabalhadores refere-se ao papel das centrais sindicais. Antes eram responsáveis só por alinhamentos políticos. Mas a marcação política foi afrouxada para atrair sindicatos e as centrais participam agora, formalmente, das negociações de benefícios dos trabalhadores, afirma o professor Arnaldo Mazzei Nogueira, da FEA-USP e PUC-SP. Há hoje seis centrais organizadas.

Luis Eulalio de Bueno Vidigal Filho, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), diz que o "sindicato puro parou no tempo". Não há números sobre sindicalização, segundo o Ministério do Trabalho e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos

30-04-2008 | 09:08

Folha de S. Paulo

GREVE

O governo decidiu parcelar o desconto dos dias de greve a ser feito nos salários dos auditores fiscais da Receita Federal, que estão em greve desde o mês passado. Dados preliminares do Ministério do Planejamento indicam que o corte de ponto pode abranger 3.800 auditores.
"Determinamos isso durante a greve. Os auditores conseguiram liminar suspendendo o desconto, recorremos ao Supremo Tribunal Federal e agora seria um absurdo se não cortássemos", comentou o ministro Paulo Bernardo (Planejamento). Representantes da categoria lamentaram a decisão e alegaram que não esperavam isso de um governo chefiado por um ex-sindicalista.

30-04-2008 | 08:59

Luciano Pires
Correio Braziliense

Reajuste de auditores e advogados públicos depende de verba extra, segundo o ministro do Planejamento

Às vésperas de mandar ao Congresso Nacional a proposta de aumento para cerca de 800 mil servidores do Executivo, o governo garantiu ontem que há recursos suficientes em caixa para honrar o compromisso. O mesmo, porém, não vale para as chamadas carreiras de Estado, que ainda tentam fechar acordos com o Ministério do Planejamento. O ministro Paulo Bernardo admitiu que será necessário pedir dinheiro extra para fazer valer negociações em andamento.

Mesmo assim, segundo ele, a folha de pessoal da União ficará dentro dos parâmetros estabelecidos para 2008. Na proposta orçamentária deste ano há R$ 3,4 bilhões reservados a reajustes do funcionalismo. O pacote que atinge os quase 1 milhão de funcionários abrange 17 categorias e tem um impacto estimado em R$ 2,1 bilhões. “Essa proposta é menor do que temos de provisão de recursos para reajustes”, reforçou Bernardo. O texto está na Casa Civil para análise e ainda não há a definição política se chegará à Câmara dos Deputados na forma de projeto de lei (PL) ou medida provisória (MP).

Os reflexos do aumento autorizado aos militares, e anunciado na semana passada, ainda estão sendo computados pela área técnica. Esse grupo inflaciona ainda mais a contabilidade porque faz a folha crescer R$ 4,2 bilhões. De acordo com Paulo Bernardo, o salto está dentro das expectativas e será absorvido. O ministro não soube dizer, no entanto, sob quais bases. Se os ganhos de civis e militares foram somados, a conta não fecha: o Orçamento amargará um buraco de R$ 2,9 bilhões.

O índice médio de aumento para a tropa ficou em 47,19%. A maior remuneração bruta será de R$ 15.048,19, dos oficiais generais de quatro estrelas, o último posto da carreira. Os recrutas, cabos não engajados e soldados terão os maiores percentuais, que variam de 54,72% a 137,83%. Assim como os civis, os servidores militares aguardam o envio do texto por PL ou MP ao Congresso.

Negociações
Em meio a ameaças e greves, o governo negocia com carreiras fundamentais à máquina pública. É a chamada elite do funcionalismo. Entre eles estão os advogados públicos (procuradores, defensores e advogados da União), auditores-fiscais da Receita Federal, funcionários do Tesouro Nacional, da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Banco Central. Como, na média, as remunerações pagas a esses profissionais estão bem acima do que se aplica no Executivo federal, os impactos orçamentários tendem a ser grandes. “Fechando todos os acordos provavelmente teremos de fazer uma suplementação orçamentária”, reconheceu o ministro do Planejamento.

Encontrar saídas de consenso para demandas tão sensíveis não tem sido tarefa fácil para o governo. Com algumas dessas carreiras a negociação se arrasta há até 10 meses, período em que avanços e retrocessos ocorreram na mesma proporção. Na semana passada, funcionários do Tesouro Nacional fizeram uma paralisação de 24 horas. O mesmo ocorreu na CGU. Ambas as categorias pressionam o governo, mas reclamam da falta de avanços.

Os servidores da CGU marcaram para hoje, durante o sorteio público de municípios, uma manifestação. Analistas e técnicos de finanças e controle reivindicam equiparação salarial com as carreiras da fiscalização federal. Se o governo não apresentar uma proposta nos padrões reivindicados, os funcionários da CGU ameaçam não participar das viagens de fiscalização pelo país.


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 Fechando todos os acordos provavelmente teremos de fazer uma suplementação orçamentária 

 

Paulo Bernardo, ministro do Planejamento

30-04-2008 | 08:56

A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) que reconheceu a estabilidade provisória de um suplente de representante sindical perante entidade federativa.    

30-04-2008 | 07:36

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Pindamonhangaba, Campos do Jordão e Lagoinha, promovem evento de confraternização para seus servidores.

29-04-2008 | 19:08

Luciano Pires

Correio Braziliense

Típico roteiro de filme de terror, a relação entre os servidores das agências reguladoras e a União atrevessa nova turbulência. Por causa da demora na regulamentação de dispositivos importantes da carreira - a lei é de 2004 - e do aumento do fosso salarial na comparação com os cargos típicos de Estado, os servidores preparam um levante.

 

Na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) isso se traduz nesta terça-feira em uma paralisarão de duas horas. A Associação e do Sindicato dos Servidores das Agências Reguladoras Federais (Aner) avisa que "o risco de greve é iminente", que outras agências podem aderir nas próximas semanas, comprometendo as metas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

29-04-2008 | 11:10

Coluna - Maria Eugênia

Jornal de Brasília

A comissão especial sobre leis de anistia da Câmara dos Deputados realiza amanhã audiência pública com os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo; da Defesa, Nelson Jobim; e da Justiça, Tarso Genro. Eles foram convidados a discutir a aplicação de leis que concedem anistia a servidores demitidos irregularmente ou punidos por participação em greves. O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) lembra que os servidores públicos federais que foram sumariamente demitidos no governo Collor conseguiram o direito à reintegração em 1994 (Lei 8.878/94). No entanto, cerca de dez mil processos ainda aguardam a análise e a homologação pela Comissão Especial Interministerial (CEI) e a publicação das respectivas portarias de reintegração pelo ministro do Planejamento. Mattos afirmou, por isso, que é preciso ouvir o ministro sobre o assunto. Em audiência pública realizada pela comissão na semana passada, representantes de entidades civis e militares reclamaram de atrasos e indefinições no julgamento dos processos e de interpretações diferentes para casos idênticos.

29-04-2008 | 10:24

 

Coluna - Maria Eugênia
Jornal de Brasília

Segundo denúncia do Sindicato dos Médicos do DF (SindMédico), os servidores do hospital e postos de saúde do Gama estão sendo obrigados a averbarem os atestados médicos com a direção do hospital. Àqueles que desobedecerem a determinação poderão ser punidos. A determinação consta de documento que a direção-geral de saúde do Gama distribuiu entre os servidores. Contrário a essa decisão, o SindMédico pediu providências ao Conselho Regional de Medicina (CRM). O sindicato entende que a competência para avaliar a incapacidade laboral é do médico do trabalho e não da direção do hospital. Também foi solicitado ao CRM investigar a conduta que está sendo adotada pela Secretaria de Saúde de encaminhar os pacientes da rede pública diretamente aos centros de saúde para obtenção dos atestados admissionais.

29-04-2008 | 10:13

Jornal de Brasília

A Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) impetrou mandado de segurança coletivo para retificar a Ordem de Serviço  003/08. O objetivo é fazer constar a previsão do pagamento de horas extras dos policiais nas operações Tiradentes, Dia do Trabalhador e Corpus Christi. Conforme o diretor Jurídico da FenaPRF, Marco Aurélio Santana, de inicio foi estudada a possibilidade de se pedir o cancelamento da convocação. “Vimos que seria difícil conseguir uma decisão favorável a este pedido”. Santana explica que o pedido foi feito com base na Constituição  Federal e na Lei 8.112/90, que prevê o pagamento do adicional de serviço extraordinário, o que poderá gerar pelo menos uma compensação para os policiais que trabalharem nessas operações. “Com o pagamento do adicional pela prestação de serviço extraordinário, é possível que na prática as convocações sejam reduzidas”. A FenaPRF impetrou também ação com o objetivo de suspender a aplicação da Portaria 1.674/2007 e  possibilitar a apresentação de atestados médicos com a garantia do reconhecimento do dia não trabalhado por motivo de saúde.

29-04-2008 | 10:11