Jornal de Brasília
Auditores Em greve há quase 40 dias, categoria quer reajuste maior
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o governo não tem como melhorar a proposta apresentada aos auditores fiscais, que estão em greve desde o dia 18 de março. O governo ofereceu reajuste de 43,9% para servidores em final de carreira e 41,7% para os auditores com salário inicial. O aumento seria aplicado até 2010, sempre no mês de julho.
“Nós temos uma posição que foi apresentada a eles, que até o momento eles não aceitaram, mas que de fato não temos como evoluir. Não temos como avançar. Porque nós não estamos negociando só com os auditores, nós estamos negociando com várias outras categorias que têm como referência o salário deles”, afirmou o ministro ontem.
Bernardo disse que a expectativa é que a greve chegue ao fim nos próximos dias, uma vez que o Judiciário está analisando a possibilidade de cortar o ponto dos grevistas. O governo já conseguiu uma decisão liminar sobre a legalidade do desconto dos dias parados, mas aguarda o julgamento do mérito da ação para fazer o corte nos contracheques. Indagado se achava justo o pleito dos auditores, o ministro respondeu que não iria fazer juízo de valor e que todas as categorias consideram justas suas reivindicações.
Acima
“Eu tenho que fazer uma proposta que seja sustentável do ponto de vista do orçamento e, comparativamente, o que nós estamos oferecendo aos auditores é muito acima do que a qualquer outra categoria neste momento”, argumentou. Em assembléia nacional, na última sexta-feira, os auditores fiscais decidiram manter a greve e rejeitar a proposta do governo.
A categoria aprovou também a realização de ato público em Brasília, amanhã, às 10h, em frente ao Ministério do Planejamento. No mesmo dia, a partir das 14h30, os auditores vão visitar o Congresso Nacional. Os auditores fiscais querem que seus vencimentos sejam equiparados com os dos delegados federais, o que elevaria o piso da categoria de R$ 10.155,52 para R$ 11.614,10 e o teto de R$ 13.382,26 para R$ 16.683,98.
Em nota divulgada ontem, o presidente do Unafisco Sindical, Pedro Delarue disse que o cronograma do governo para implementação do reajuste também tem levado a atrasos na resolução das negociações. "O governo insiste em um calendário de reajustes com término em julho de 2010, enquanto os auditores fiscais reivindicam que a data final seja abril de 2009." Delarue afirma, na nota, que o entendimento depende da boa vontade do governo, e não apenas da categoria
Ainda na nota, a Unafisco destaca que "o governo precisa ceder pouco para alcançar propostas compatíveis com as reivindicações da categoria, como, por exemplo, no que diz respeito à questão salarial, cuja distância entre o que o governo oferece hoje e o que o próprio governo ofereceu no ano passado é de apenas R$ 450."
Outro ponto relevante é a separação das negociações sobre campanha salarial da discussão sobre alterações na forma de avaliação do desempenho dos auditores fiscais para promoção na carreira – "cuja proposta do governo não tem aceitação da categoria devido aos riscos da impessoalidade".